A Viagem de Chihiro

dezembro 1, 2009 at 7:03 pm (Uncategorized)

 

“Beauty, power, mystery, and above all, heart.” – James Cameron 

Veja, não está em mim ser preconceituoso, mas quando ouvi falar de A Viagem de Chihiro o pensamento exato que me veio à cabeça foi “porra, desenho japonês… ”. Sempre achei esses caras que curtem mangá, anime e essas coisas japas fossem meio estranhos. Alguns são. 

O que eu não sabia era que eu própio tinha referências precipitadas sobre o assunto. 

É claro, tive minhas fases de Cavaleiros do Zodíaco, Pokémon e nunca deixava de alimentar meu Rakuraku Dinokum, só que minha curiosidade sobre o entretenimento japa se limitava àquilo que estava na moda aqui no trópico. Eu disse entretenimento, porque afinal sempre admirei a cultura e a filosofia oriental. 

Nunca havia me aprofundado ao ponto de tomar consciência de que aquilo que chegava a mim através do Cartoon Network, era uma migalha daquela cultura que bombava no Japão. 

Chihiro e Haku

 

Foi quando conheci a Viagem de Chihiro que pude vislumbrar por um instante o Adult Swim por de trás do universo anime. Só aí  me dei conta que alguns daqueles caras de meia idade, que eu sempre havia achado meio freaks por ficarem tão fascinados com desenhos orientais, tinham de fato um bom motivo pra isso. Não era o tipo de desenho feito pra viciar a gurizada. Era arte. Mais que isso; as produções de Hayao Miyazaki, fundador do Studio Ghibli eram dotadas de uma maestria única. Tramas complexas, uma sensibilidade poética fora do comum para o gênero e uma capacidade absurda de criar sensações de tensão, nostalgia e até excitação, essas são algumas das características de Miyazaki, segundo minha humilde e amadora visão. 

Spoilernopse 

A família Ogino está de mudança para uma nova cidade. O casal, Akio e Yuko, estão muito empolgados com a viagem. Mas o mesmo não acontece com sua filha Chihiro, uma garotinha de 10 anos que está muito chateada por ter que deixar todas as suas lembranças e amigos de infância para trás. Nas mãos, ela carrega um buquê de flores, o último presente que ganhou antes de ir embora. 

Chegando a nova cidade, o pai pega um atalho e a família acaba parando na frente de um imenso prédio vermelho no qual um túnel infinito boceja como uma boca gigantesca. Atraídos pela curiosidade, os três seguem caminhando através do túnel. Mesmo com muito medo Chihiro acompanha os pais. 

Do outro lado do estranho prédio, os três encontram uma cidade misteriosa e deserta. Depois de andar alguns passos, Akio e Yuko, avistam um suculento banquete e começam a devorá-lo. Chihiro deixa os pais por um instante para conhecer o local, ate que para numa ponte, de repente, aparece Haku, um misterioso jovem que pede para ela sair dali antes de anoitecer. Ela corre para encontrar seus pais, mas quando chega perto deles vê que os dois transformam-se em porcos, e fica apavorada. 

Perdida e sozinha, a pequena Chihiro se vê diante de um mundo repleto de espíritos, monstros e deuses. Para sua sorte, Haku vai ajudá-la. Ele ensina a Chihiro o melhor caminho para se chegar até a bruxa Yubaba, a dona da casa de banhos e que pedisse para trabalhar no mesmo. Caminho ela conhece Kamaji e Lin, os dois, assim como Haku, ajudam a se acostumar com esse mundo.
 

A feiticeira revela que todos os humanos que entram em seus domínios são transformados em animais, antes de serem devorados. Aqueles que não têm o triste destino precisam provar seu valor no trabalho, ou são condenados à morte. Sem alternativa, a menina faz um trato com Yubaba para trabalhar na casa de banhos, renunciando sua humanidade e mudando de nome, que passa a ser Sen. 

Enquanto trabalha, Chihiro terá que descobrir uma maneira de encontrar suas lembranças, salvar seus pais e sair da cidade, ou então será escrava da bruxa para sempre… 

Fonte: Wikipedia 

   

Critivisão 

Os filmes de Miyazaki não podem ser vistos apenas, o que dá o tom magnificência é a trilha sonora apuradíssima que anda de mãos dadas com o belo visual de suas obras. O responsável por isso é Joe Hisaishi, parceiro de Miyazaki em suas produções. 

cena de uma sensibilidade impressionante

 

Assim que conseguir achar o link eu posto aqui pra quem quiser baixar e conferir. Pra quem não está com tanta preguiça é só fazer uma pesquisa rápida que encontra. Eu sempre levo umas faixas no meu iPod. 

Atente principalmente para a faixa 16 (Roku Banme no Eki ou The Sixth Station em inglês) é a trilha respectiva a uma das mais belas cenas já produzidas em um desenho. A cena da Estação de Trem carrega uma sensibilidade poética que eu jamais tinha visto em nenhuma outra cena de animação. Impossível transmitir a sensação plena de nostalgia e melancolia quando assisto à esta cena. Nostalgia não sei de que, melancolia não sei porque.(?) Sim, algo sem explicação. Esse é o alcance da grande arte. 

 

  

  

  

  

Coisas Técnicas 

Título Original : Sen to Chihiro 

Ano : 2001 

Duração: 125 min 

Prêmios: 2002 – Urso de Ouro no Festival de Berlim,  2002 – Oscar de melhor animação em 2003. 

Referência: aqui e aqui

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Clube da Luta

agosto 7, 2009 at 1:54 am (Uncategorized)

Ousado e perigoso.

Se pudesse usar apenas duas palavras pr’a classifica-lo seriam essas.

Resumir é sempre necessário em se falando de Clube da Luta, pois é impossível transmitir em poucas palavras todo o alcance dessa produção. Por isso vou colocar aqui o que considero os pontos-chave da trama.

Inspirado na novela de Chuck Palahniuk – o cara que faz platéias desmaiarem quando lê suas obras em público – Clube da Luta está longe de ser um enlatado de porradaria. Muito longe.

Se você está munido apenas de meia dúzia de neurônios ou só está afim de ver o “coro come”, a “casa cai” ou “o baguiu ficá doido”, ou ainda se você tem dificuldades em ler nas entrelinhas, pare de ler isso e vá assistir aos filmes do Chuck.

o Mestre de todos os mestres

o Mestre de todos os mestres

Spoilernopse

A trama se dá a respeito de um executivo médio (Edward Norton) relativamente bem sucedido, sofre de insônia e vive o tédio e a solidão da sociedade urbana atual.

Frustrado com seu estilo de vida superficial, ele tenta preencher suas lacunas de frustração existencial com “prazeres imediatos”. Sounds familiar?

Se você pensou em drogas, big macs ou sexo barato, esqueça. É muito pior. Seus vícios variam entre comprar mobília de catálogos pelo telefone e até participar de grupos de auto-ajuda – falarei disso mais adiante.

Em uma de suas viagens a trabalho ele conhece Tyler Durden (Brad Pitt, insano) um vendedor de sabão com discurso questionador ao estilo “vintage gigolô”, que durante o desenrolar da história vai revelando sua personalidade hilária/lunática. 

O personagem de Edward Norton – o qual não tem o nome citado em momento algum durante o filme – após uma misteriosa explosão em seu apê, se vê sozinho e sem rumo. É aí que ele toma a decisão de entrar em contato com Tyler, sem saber que essa seria a decisão que desencadearia uma série de eventos bizarros e que colocariam de cabeça pra baixo seu estilo de vida e forma de pensar e agir. Levando-o assim a uma jornada de auto-conhecimento bem excêntica.

Critivisão

Eu sou um fã incondicional de filmes – e livros – narrados pela personagem.

É um estilo que, na minha opinião, faz você sentir, ver e ouvir tudo segundo a visão da própia personagem. É sútil, mas mágico.

Nesse aspecto Clube da Luta é nota 10.

O Narrador, com um senso de humor perigosamente sarcástico e passivo, consegue transmitir examente a personalidade frustratada de um cidadão médio de inteligência apurada. O que se liga exatamente a uma, das várias mensagens que o filme tenta transmitir.

Ao evoluir em uma sociedade moderna e materialista como a nossa, o homem deixa de saciar algumas sensações e impulsos instintivos de sua natureza animal, como sentir dor, raiva, passar frio e fome; e isso – na visão anarcoprimitivista do filme, encarnada por Tyler Durden – acaba por criar na civilização uma legião de zumbis que vivem sob o “transe hipnótico” de fazer dinheiro, fazer conforto, acumular bugingangas e esquecem de seguir seus instintos, viver de forma intensa e ousada.

É exatamente ao reprimir esses instintos que o homem moderno passa a sentir a frustração, e a sensação de que algo está faltando em sua batalha diária, não pela sobrevivência, mas sim pela conveniência.

A escolha do elenco foi talvez o ponto mais alto desse projeto.

Edward Norton a cada filme vem se tornando um de meus atores favoritos. Em Clube da Luta ele encarna completamente sua personagem. O ator perfeito para o papel, simplesmente.

Brad Pitt, sem comentários. Totalmente desnaturado, genial!

Sua personagem (Tyler Durden), ficou em primeiro lugar na lista dos 100 melhores personagens de todos os tempos da Empire Magazine.

Obviamente há controvérsias, mas foda-se. Tyler é o cara!

Helena Bonham Carter também arrebatadora no papel de Marla Singer, uma desajustada social sem rumo, que acaba caindo nas graças do dois em um do filme.

Helena também levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante

A trilha sonora também está no mesmo nível que todas as outras qualidades técnicas do filme. Desde Tom Waits a Pixies, e Dust Brothers que conseguiram criar uma trilha compatível com o cenário urbano sombrio e depressivo da trama.

Portanto, afim de ver um filme inteligente, altamente perturbador com grande elenco e produção nota 10, Clube da Luta é uma ótima pedida.

Sem dúvidas está entre os melhores filmes de nossa geração, e esse

ano (2009) completa 10 anos.

No entanto, como eu disse anteriormente, é um filme perigoso. Portanto, se você não tiver uma refêrencia razoável eu desaconselho, você pode se tornar dependente da filosofia.

Salvo isso,

eu recomendo altamente.

Coisas Técnicas

Título Original : Fight Club

Ano: 1999

Duração: 139 min

Elenco: Edward Norton, Brad Pitt, Helena B. Carter

Prêmios:  Helena Bonham Carter venceu o Empire Award na categoria de Melhor Atriz Britânica, em 2000.

 

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