Top 5

agosto 28, 2009 at 4:26 am (Uncategorized)

Estamos acostumados com hierarquias desde o jardim de infancia, e nas comunidades que estamos envolvidos quase sempre está claro quem que manda, e quem que manda depois de quem manda mais. Hierarquias fazem sucesso até no entretenimento, é só se ligar nas várias top lists que são publicadas. Desde as normais como top 10 filmes do ano até as nada a ver como top 10 celebridades mais ricas com menos de 35 anos (esta bastante útil para seqüestradores, golpistas e saqueadores). E é sempre dez, estranho isso, quase nunca você se vê tops 13 ou tops 17. Beleza, a top list do CQC é top 5, mas sei lá, 5 é metade de 10, então é tipo uma meia top 10.

De vez em quando vou fazer umas listas e colocar aqui. Mas já que a gente tem que conviver sempre com hierarquias, as listas daqui não serão hierarquizadas, ninguém vai ser melhor que ninguém, vai ta tudo misturado. A primeira vai se referir as 5 melhores falas dos filmes que eu já vi. As cinco cenas a seguir são de filmes onde o roteiro certo encontrou o ator certo pra interpreta-lo.

1. Eu era meio metidinho quando era pequeno quando ia na locadora, e pegava filmes que eu não tinha idade pra entender. Pulp Fiction do Tarantino foi um dos que eu vi fora da idade. Tanto que na época eu não gostei. Mas mesmo naquela época eu fiquei impressionado com a cena mais intensa, que é a do assalto no final. Nela, Jules Winnfield (Samuel L. Jackson), depois de um dia esquisito, vai lanchar numa lanchonete (isso é pleonasmo?) que acaba sendo assaltada. O assaltante é meio babaca e ele toma conta da situação, e enquanto ele faz isso, vai dizendo o melhor roteiro que Tarantino escreveu na vida, e de um jeito que se o telefone tocar ou alguém te chamar você não atende de tanta atenção que você ta prestando . A melhor parte é no final, quando ele recita uma passagem da Bíblia e depois a câmera da um close, e ele dá a sua interpretação da passagem.

Jules: Now I want you to go in that bag and find my wallet.
Ringo: Which one is it?
Jules: It’s the one that said Bad Motherfucker on it.

pulp fiction

2. Dá vontade de pintar a cara de azul, arrumar uma espada e lutar pela libertação da Escócia depois que William Wallace faz seu discurso pra um exercito de camponeses relutantes na cena da Batalha de Stirling:

Wallace: Yes. Fight and you may die. Run and you will live, at least awhile. And dying in your bed many years from now, would you be willing to trade all the days from this day to that, for one chance, JUST ONE CHANCE, to come back here as young men, and tell our enemies that they make take our lives, but they will never take our freedom!!

Braveheart

3. É do Slot (qué chocolate) que todo mundo lembra dos Goonies, mas o gordinho que liberta ele é o mais engraçado. A cena da tortura é hilária demais. Busca no youtube: “gordinho dos goonies, cena do liquidificador” e reveja essa obra-prima. Vê dublado mesmo que a dublagem é genial (nível Chaves).

goonies_lbx_2

4. A cena da conversa entre Robin Willians e Matt Damon no parque em Genio Indomavel. Geralmente nessas cenas, fica uma musiquinha irritante no fundo que implora pra você se emocionar com o dialogo. Gus Van Sant, diretor do filme, sabiamente optou por não mendigar umas lagrimas na que é realmente a cena mais emocionante do filme. Durante a maior parte, a trilha sonora são barulhos de carros e pessoas que passam pelo parque. A cena emociona naturalmente, graças à atuação soberba de Robin Willians, ao suave movimento da câmera que corta abruptamente para a reação do personagem de Matt Damon na hora certa e a opção de incluir a trilha sonora apropriadamente somente no final.

Damon - Good Will Hunting

5. O melhor filme dos anos 80 não é Touro Indomável. É Curtindo a Vida Adoidado. E uma das melhores cenas é a do inicio. Quando ele explica como e porque tirar um dia de folga. “E eu ia perder um dia ensolarado como esse enfurnado naquela escola?”

ferris-buellers-day-off-sick-day

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Clube da Luta

agosto 7, 2009 at 1:54 am (Uncategorized)

Ousado e perigoso.

Se pudesse usar apenas duas palavras pr’a classifica-lo seriam essas.

Resumir é sempre necessário em se falando de Clube da Luta, pois é impossível transmitir em poucas palavras todo o alcance dessa produção. Por isso vou colocar aqui o que considero os pontos-chave da trama.

Inspirado na novela de Chuck Palahniuk – o cara que faz platéias desmaiarem quando lê suas obras em público – Clube da Luta está longe de ser um enlatado de porradaria. Muito longe.

Se você está munido apenas de meia dúzia de neurônios ou só está afim de ver o “coro come”, a “casa cai” ou “o baguiu ficá doido”, ou ainda se você tem dificuldades em ler nas entrelinhas, pare de ler isso e vá assistir aos filmes do Chuck.

o Mestre de todos os mestres

o Mestre de todos os mestres

Spoilernopse

A trama se dá a respeito de um executivo médio (Edward Norton) relativamente bem sucedido, sofre de insônia e vive o tédio e a solidão da sociedade urbana atual.

Frustrado com seu estilo de vida superficial, ele tenta preencher suas lacunas de frustração existencial com “prazeres imediatos”. Sounds familiar?

Se você pensou em drogas, big macs ou sexo barato, esqueça. É muito pior. Seus vícios variam entre comprar mobília de catálogos pelo telefone e até participar de grupos de auto-ajuda – falarei disso mais adiante.

Em uma de suas viagens a trabalho ele conhece Tyler Durden (Brad Pitt, insano) um vendedor de sabão com discurso questionador ao estilo “vintage gigolô”, que durante o desenrolar da história vai revelando sua personalidade hilária/lunática. 

O personagem de Edward Norton – o qual não tem o nome citado em momento algum durante o filme – após uma misteriosa explosão em seu apê, se vê sozinho e sem rumo. É aí que ele toma a decisão de entrar em contato com Tyler, sem saber que essa seria a decisão que desencadearia uma série de eventos bizarros e que colocariam de cabeça pra baixo seu estilo de vida e forma de pensar e agir. Levando-o assim a uma jornada de auto-conhecimento bem excêntica.

Critivisão

Eu sou um fã incondicional de filmes – e livros – narrados pela personagem.

É um estilo que, na minha opinião, faz você sentir, ver e ouvir tudo segundo a visão da própia personagem. É sútil, mas mágico.

Nesse aspecto Clube da Luta é nota 10.

O Narrador, com um senso de humor perigosamente sarcástico e passivo, consegue transmitir examente a personalidade frustratada de um cidadão médio de inteligência apurada. O que se liga exatamente a uma, das várias mensagens que o filme tenta transmitir.

Ao evoluir em uma sociedade moderna e materialista como a nossa, o homem deixa de saciar algumas sensações e impulsos instintivos de sua natureza animal, como sentir dor, raiva, passar frio e fome; e isso – na visão anarcoprimitivista do filme, encarnada por Tyler Durden – acaba por criar na civilização uma legião de zumbis que vivem sob o “transe hipnótico” de fazer dinheiro, fazer conforto, acumular bugingangas e esquecem de seguir seus instintos, viver de forma intensa e ousada.

É exatamente ao reprimir esses instintos que o homem moderno passa a sentir a frustração, e a sensação de que algo está faltando em sua batalha diária, não pela sobrevivência, mas sim pela conveniência.

A escolha do elenco foi talvez o ponto mais alto desse projeto.

Edward Norton a cada filme vem se tornando um de meus atores favoritos. Em Clube da Luta ele encarna completamente sua personagem. O ator perfeito para o papel, simplesmente.

Brad Pitt, sem comentários. Totalmente desnaturado, genial!

Sua personagem (Tyler Durden), ficou em primeiro lugar na lista dos 100 melhores personagens de todos os tempos da Empire Magazine.

Obviamente há controvérsias, mas foda-se. Tyler é o cara!

Helena Bonham Carter também arrebatadora no papel de Marla Singer, uma desajustada social sem rumo, que acaba caindo nas graças do dois em um do filme.

Helena também levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante

A trilha sonora também está no mesmo nível que todas as outras qualidades técnicas do filme. Desde Tom Waits a Pixies, e Dust Brothers que conseguiram criar uma trilha compatível com o cenário urbano sombrio e depressivo da trama.

Portanto, afim de ver um filme inteligente, altamente perturbador com grande elenco e produção nota 10, Clube da Luta é uma ótima pedida.

Sem dúvidas está entre os melhores filmes de nossa geração, e esse

ano (2009) completa 10 anos.

No entanto, como eu disse anteriormente, é um filme perigoso. Portanto, se você não tiver uma refêrencia razoável eu desaconselho, você pode se tornar dependente da filosofia.

Salvo isso,

eu recomendo altamente.

Coisas Técnicas

Título Original : Fight Club

Ano: 1999

Duração: 139 min

Elenco: Edward Norton, Brad Pitt, Helena B. Carter

Prêmios:  Helena Bonham Carter venceu o Empire Award na categoria de Melhor Atriz Britânica, em 2000.

 

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